20 de outubro de 2016

Ser ou não ser uma mãe Má...(seu silencio me consome)


Um dia quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a que me motivou a ser uma mãe má. Eu hei de responder;

- O meu amor por vocês é grande o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.

- O meu amor por vocês é grande o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

- O meu amor por vocês é grande o suficiente para fazer pagarem ou devolver algo que tiraram de alguém e fazer dizer ao dono: “Nós tirámos isto ontem e queríamos pagar ou devolver me desculpe deveria ter pedido”.

- O meu amor por vocês é grande o suficiente para deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos, o desespero que querer te ajudar...

- O meu amor por vocês é grande o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, várias horas, enquanto faziam os deveres da escola...

- O meu amor por vocês é grande o suficiente para deixar que assumissem a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração. (Como o dia filho que você optou a morar com seu pai, ou o dia filha que você teve que pedir desculpas por não ter devolvido os pertencentes de suas colegas)

- O meu amor por vocês é grande o suficiente para saber quando estão mentido... Afinal confiança é tudo

Mais do que tudo, O meu amor por vocês é grande suficiente para dizer NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até me odiaram ou odeiam... Hoje sei que esse sentimento ainda está muito forte no seu coração filho, mas credito em Jesus que vai passar).

Estas são as algumas das mais difíceis batalhas que passo até o momento com vocês.  Se estou certa... se um dia vocês reconhecerão... não sei... Só SEI que procuro fazer e dá o melhor de mim...

Saber que vocês estão bem, que conseguir passar algo de bom é o meu maior presente!

E um dia, quando vocês constituírem uma família e os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e mães; quando eles lhes perguntarem se eu fui uma mãe má, vocês vão responder:

“Sim, a nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo... As outras crianças comiam doces no café e nós só tínhamos que comer pão com manteiga, torradas, tomar leite. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvetes no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas e só um COPINHO de suco, refrigerante só quando recebíamos visitas. Tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles.

Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade. “A verdade é o que nos leva a confiar numa pessoa”

E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata!

Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelos menos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar).


Por causa da nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência.

- Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

FOI TUDO POR CAUSA DELA!”

Espero e peço a Deus todos os dias que se tornem adultos, honestos e educados, que façam o melhor para serem “PAIS MAUS”, como a eu fui. EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE: NÃO HÁ SUFICIENTES MÃES MÁS

Dedico esse texto a você meu Filho amado GRB.

Nunca se esqueçam, o meu amor por vocês meus amores é infinito....

Hoje 5 dias.. o seu silencio me consome..

 

 

 

 

 

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